Família de jovem morto eletrocutado no Carnaval 2018 reclama de impunidade

0
26

Mais de 1 ano após a morte do estudante Lucas Antônio Lacerda da Silva, eletrocutado no Carnaval de São Paulo, a família do jovem de 22 anos se queixa de impunidade. Apesar do indiciamento de 4 pessoas pela Polícia Civil do estado, ninguém foi responsabilizado de fato pelo incidente ocorrido em 4 de fevereiro entre as ruas Matias Aires e Consolação, na região central da capital paulista.

“O que mais irrita é o descaso da administração pública, no caso a Prefeitura de São Paulo”, critica o advogado dos familiares de Lucas, Alexandre dos Santos. “A gente não pode aceitar que na maior cidade da América Latina um menino saia para curtir o Carnaval e não volte mais para casa porque encostou em um poste e foi eletrocutado.”

Lucas Antônio participava do desfile do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos mais tradicionais da cidade, e acabou morrendo por receber uma descarga elétrica quando, ao pular uma grade de ferro, encostou com a palma da mão em um poste.

Contratada pela prefeitura para organizar o Carnaval de 2018, a empresa Dream Factory subcontratou a GWA Systems para instalar câmeras de segurança nos pontos de maior concentração de foliões no ano passado. A investigação da Polícia Civil aponta que Lucas teve contato com um poste energizado onde estavam duas câmeras.

No total, a GWA System instalou 200 câmeras para monitorar o Carnaval do ano passado. Na época do incidente, o prefeito João Doria disse que houve a instalação indevida de alguns equipamentos. Ele eximiu de responsabilidade a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), dona do poste, e a Ilume, departamento de iluminação da prefeitura, que não teria autorizado uso de energia para as câmeras.

Segundo o inquérito, a descarga elétrica que matou Lucas foi ocasionada por um fio partido dentro de uma das câmeras e porque havia uma instalação irregular no poste.

Alexandre dos Santos alega que a prefeitura está fazendo “jogo de empurra” ao tentar “jogar a responsabilidade para frente”. “As empresas tiveram 3 dias para montar 200 câmeras [no ano passado], é praticamente pedir para que algo dê errado… A grande indignação da família é esta; se não foi imperícia, foi negligência de alguém”, acusa.

A Secretaria Municipal das Subprefeituras informa que processo administrativo aberto no ano passado concluiu não ter havido responsabilidade de servidores públicos na morte de Lucas Antônio.

Em nota enviada ao HuffPost Brasil, a secretaria informa que o planejamento do Carnaval deste ano foi antecipado para setembro de 2018. O seminário Caminhos do Carnaval de Rua 2019 reuniu blocos para debater a organização da festa e facilitar a tomada de decisões.

A Prefeitura de São Paulo também decidiu recorrer a drones para o monitoramento das ruas e do trajeto dos bloquinhos, a fim de evitar um incidente com câmeras como o que matou Lucas. 

NELSON ALMEIDA via Getty ImagesFoi na passagem do Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos mais tradicionais de São Paulo, que Lucas Antônio foi eletrocutado.

Investigação da morte

O inquérito que apura os responsáveis pela morte de Lucas Antônio foi concluído em junho do ano passado, mas a solução do caso ainda parece estar longe de um ponto final. “Quatro pessoas foram indiciadas, mas, atendendo a uma solicitação de promotor, ele [inquérito] retornou e está aguardando por uma perícia complementar”, explicou ao HuffPost o delegado titular do 4º DP (Consolação) e responsável pelo caso, Júlio César Geraldo.

Os 4 indiciados citados pelo delegado prestavam serviços para a Dream Factory e a GWA Systems, mas não tiveram seus nomes revelados. Eles foram indiciados por homicídio culposo, isto é, sem a intenção de matar. Foi em novembro do ano passado que o Ministério Público de São Paulo pediu ao Instituto de Criminalística a elaboração de um laudo pericial complementar sobre o caso.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informa que, em janeiro deste ano, os advogados de defesa dos indiciados fizeram uma nova requisição de informações. “Assim que [esses pedidos] forem finalizados, o inquérito voltará para a Justiça”, diz a SSP em nota enviada ao HuffPost.

A Dream Factory repudiou o indiciamento de 2 de seus funcionários. Em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo, em junho passado, disse que recebeu com “indignação” a conclusão do inquérito. Colocou-se à disposição da Justiça “para que a verdade volte a prevalecer na investigação”.

Em nota enviada à RecordTV em fevereiro deste ano, a GWA Systems informou que “aguarda os esclarecimentos técnicos pelo Instituto de Criminalística, referindo-se ao pedido do Ministério Público, “a fim de comprovar que seus equipamentos e instalações não tiveram qualquer relação com o acidente” que matou Lucas. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here