Bela Gil lança livro de receitas contra desperdício: ‘Não sou extremista, sou coerente’

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DivulgaçãoNovo livro Bela Cozinha: da raíz à flor ensina receitas com raízes, cascas e alimentos que hoje são descartados.

Bela Gil fala sobre alimentação saudável e isso ainda parece ser um “tabu” para muita gente.

Vira e mexe, a apresentadora do programa ‘Bela Cozinha’, do canal GNT, viraliza nas redes sociais por suas invenções peculiares ― seja um churrasco de melancia ou uma lancheira natureba para seus filhos. A cozinheira, porém, rejeita o título de “extremista” e diz não ser polêmica quando o assunto é comer bem.

“Não me considero extremista, sou só coerente com a minha linha de pensamento e ideologia”, disse em uma entrevista exclusiva ao HuffPost Brasil. “As pessoas polemizam [o que eu faço] porque, muitas vezes, se assustam, são surpreendidas.”

Segundo ela, ter uma alimentação saudável é muito mais fácil do que as pessoas imaginam ― e barato também. Em seu novo livro, Bela Cozinha: da raiz à flor, da Globo Estilo, Bela ensina receitas com raízes, cascas, talos, folhas, sementes e outras partes dos alimentos que hoje são descartadas.

A ideia é mostrar receitas simples (de entradas, pratos principais e sobremesas) para evitar o desperdício de alimentos bons, nutritivos e que acabam virando lixo nas casas brasileiras. “Quando ampliamos o nosso olhar sobre um alimento, ganhamos mais opções. O objetivo deste livro é trazer um novo olhar para a comida do dia a dia e descobrir novos ingredientes já presentes nos alimentos”, explica a autora.

Na entrevista ao HuffPost, a cozinheira e apresentadora também comentou sobre suas “polêmicas” e deu dicas de como manter hábitos saudáveis ― para adultos e crianças.

Qual o principal ensinamento que você tenta passar em seu novo livro? 

Esse livro foi feito para que as pessoas entendam melhor a nossa relação com o desperdício de alimentos, e também com a economia doméstica, porque uma coisa está relacionada à outra. É uma forma de trazer uma consciência melhor para o desperdício que acomete não só o Brasil mas o mundo todo ― 1/3 da comida é jogada fora. E também porque muita gente diz que minha cozinha é muito focada para um nicho, uma classe social, mas eu acho que, com criatividade e usando o alimento de maneira mais integral, mudando o mercado e a forma como a gente consome os alimentos e como eles são vendidos, a gente pode melhorar isso. Pode cozinhar de uma forma muito mais barata.

Então a ideia do livro é tocar nesses dois assuntos: tanto no desperdício de alimentos quanto na economia doméstica, ou seja, que a alimentação saudável se torne mais barata. 

Seu livro fala sobre reinventar o alimento, aquele que sempre existiu, mas dando um novo olhar. Qual é o exemplo prático nisso? 

O livro mostra de uma forma bem prática como evitar este desperdício. Quando a gente compra melancia, por exemplo, em vez de jogar a casca fora, a gente pode fazer um “refogadinho” de melancia, um gratinado de casca de melancia, pode fazer várias receitas salgadas e doces.

São receitas práticas que mostram como aproveitar o alimento por inteiro e diminuir o lixo orgânico. 

Também é uma forma prática de as pessoas demandarem certos alimentos [completos] na feira ou no supermercado. Por exemplo: por que a cenoura vem sem a rama? Por que a beterraba ou o brócolis vêm sem a folha? Demandar na hora de comprar e questionar o local por que não tem o alimento [completo]. Falar que gostaria de comprar na próxima vez.

Assim a gente consegue mudar o sistema do mercado, na hora da compra. Os vendedores acham que ninguém vai comprar e acabam jogando fora esses alimentos que podem ser consumidos. 

Muitas pessoas alegam que não comem saudável por falta de tempo no dia a dia – elas não cozinham, não montam marmitas, etc. É possível ter uma rotina mais saudável e fazer escolhas certas, mesmo “sem tempo”? 

Essa questão de tempo eu entendo, eu tenho uma vida super corrida. Não é todo dia que eu posso ir para a cozinha, apesar de que acho que muitos dias da semana eu faço jantar pelo menos em casa. Mas vejo que o conhecimento e a prática são muito importantes.

Se você sabe fazer um arroz, você sabe que ele ficará pronto em 20 minutos. Ou se você sabe fazer feijão, você pode se programar e deixar o feijão no molho na parte da manhã e cozinhar ele em 30 minutos à noite. Então, além do planejamento, é muito importante esse conhecimento – e, claro, a prática de cozinha, porque, quando a gente não sabe cozinhar, tudo fica mais difícil, até um macarrão dá trabalho.

Quanto mais a gente for pra cozinha, pegar intimidade com os utensílios e saber o tempo de preparo, mais tempo a gente ganha.

Quando eu vou para cozinha, eu não faço uma xícara de arroz, eu faço 3 ou 4 e guardo um pouco na geladeira – e o que sobrou eu faço um bolinho ou um biscoitinho de arroz.

Acho que, por isso, conhecimento é importante, mas também experiência. Não acha que você vai começar cozinhando tudo. A criatividade vem com o tempo também, e a experiência também ajuda a manejar melhor o tempo, e tudo fica mais fácil, rápido e prazeroso. 

Suas declarações sobre alimentação saudável quase sempre se tornam polêmica nas redes e são interpretadas por muitos como um pensamento extremista. Você se considera “extremista” quando o assunto é alimentação saudável? 

Eu acho que eu não sou extremista, eu sou bem coerente. Acho que, quanto mais a gente sabe sobre o sistema alimentar e a produção de alimentos, sobre o que tem nos nossos alimentos e o que faz mal à saúde, a gente se torna mais seletivo. Então acredito que eu posso parecer extremista para pessoas que não tenham tanto conhecimento nesse assunto, mas, para quem entende desse assunto, eu sou só mais uma pessoa falando os fatos reais da alimentação do brasileiro, do mundo e desse sistema que, claramente, não visa a saúde, e sim muito mais o lucro.

Não me considero extremista, sou só coerente com a minha linha de pensamento, minha ideologia e quanto mais a gente tem conhecimento no assunto, a gente fica mais criteriosa. 

Você se diverte ou se preocupa com as repercussões nas redes – como, por exemplo, quando você sugeriu churrasco de melancia ou consumiu placenta?

Eu me divirto, muitas vezes, com as repercussões nas redes. Eu adoro os memes, até compartilho vários deles. E acho que, até relacionado à pergunta anterior, eu não gero polêmica, eu só mostro um fato ― quem gera polêmica são as pessoas.

Se não fossem elas falando sobre isso e compartilhando, não viralizaria. Eu estou quieta no meu canto. Mas as pessoas polemizam porque, muitas vezes, se assustam, são surpreendidas. Eu gosto, me divirto, e não me preocupo, pois é o que a gente está vivendo hoje: Qualquer coisa que a gente falar pode virar uma polêmica.

Você é uma defensora de alimentação saudável também para crianças. Como ensinar a elas, desde pequenas, a comer saudável e evitar os “junk foods”?

Uma das formas mais eficazes de fazer com que a criança coma bem, primeiramente, é ter uma alimentação saudável dentro de casa. Não adianta querer que a criança coma bem sendo que o adulto só come besteira. O exemplo é muito importante, criança aprende muito com observação. 

Também é preciso inserir as crianças na cozinha, isso é muito interessante. Elas se sentem mais independentes, ficam responsáveis pelo que estão comendo, fica muito mais divertido e elas ficam mais curiosas. Isso abre o leque delas para experimentarem alimentos novos.

É fundamental levar a criança para a cozinha, pelo menos para o universo alimentar, fazer com que ela coloque a mesa ou lave uma louça, vá à feira, acompanhe nas compras.

É isso: educação alimentar dentro de casa e dar exemplo, mostrando que comer bem é bom. 

Por fim, quais seriam seus mandamentos para ter uma vida mais leve, saudável, nutritiva e com menos desperdício?

É sempre bom lembrar de priorizar os alimentos mais frescos: frutas, legumes e verduras. Ou seja, trocar o supermercado pela feira, por exemplo. Comprar menos produtos processados e industrializados. Acho que isso é o principal. 

Em segundo lugar, você tem quer querer comer bem. Não adianta não gostar daquilo que a gente está comendo, precisa ter prazer nisso. Então temos que aprender a gostar de comer bem ― por isso, a educação alimentar para a criança é tão importante, a criança já crescer gostando de uma verdura, de uma fruta, e não se sentir obrigada a comer aquilo. 

Obviamente, comendo mais alimentos frescos, o desperdício vai ser bem menor. E o lixo também, porque a gente já vê, por exemplo, a couve amarelando na geladeira, e a gente sabe que tem que fazer algo com ela. A fruta pode ser transformada em sorvete, enquanto os produtos mega industrializados fora da data de validade vão para o lixo – você esquece daquele alimento, e gera mais lixo plástico. 

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