Bolsonaro faz bateria de reuniões com partidos, mas PSDB e PSD reafirmam ‘independência’

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Antonio Cruz/ Agência Brasil“O PSDB tem uma postura de independência em relação ao governo, não há nenhum tipo de troca”, disse Alckmin após reunião com Bolsonaro.

Os presidentes do PSDB e do PSD, dois dos principais partidos que se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) nesta quinta-feira (4), disseram que, apesar da tentativa do governo de formar uma base de apoio que facilite a tramitação da reforma da Previdência no Congresso, as legendas manterão sua “independência”.

“O PSDB tem uma postura de independência em relação ao governo, não há nenhum tipo de troca”, afirmou o presidente nacional do partido e candidato derrotado nas eleições de 2018, Geraldo Alckmin, após a reunião no Planalto.

Ele, contudo, disse que não houve um convite formal do presidente para que o PSDB fizesse parte da base governista no Congresso.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, por sua vez, disse que sua legenda não fará parte da base do governo e que não fechará questão a favor da reforma da Previdência – quando o partido combina a posição que os parlamentares devem adotar -, apesar de apoiar a mudança.

“O partido tem uma posição muito clara com a sua independência em relação ao governo, essa posição continuará”, disse Kassab.

Já Alckmin disse que o PSDB não vai ajudar a aprovar nenhum benefício que fique abaixo do salário mínimo, nem a redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a idade mínima igual para homens e mulheres na aposentadoria rural.

“O PSDB tem compromisso com a reforma, mas dentro desses parâmetros”, afirmou.

Bolsonaro, que vinha sendo bastante criticado até agora por se afastar da articulação com o Congresso, voltou de uma viagem de 3 dias a Israel na noite de quarta-feira (3) e tinha uma agenda cheia de encontros com lideranças partidárias nesta quinta.

Antonio Cruz/ Agência BrasilO presidente do PSD, Gilberto Kassab, fala com jornalistas após reunião com Bolsonaro.

Além de Alckmin e Kassab, Bolsonaro recebeu ainda no Planalto o presidente do PRB, Marcos Pereira, e do PP, Ciro Nogueira, sempre com a companhia do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

No início da tarde, o ex-deputado negou ter negociado cargos nos encontros e disse que o objetivo é aprovar a reforma da Previdência.

Para a tarde, estão previstos encontros com o presidente do DEM, ACM Neto e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também do DEM, o presidente do MDB, Romero Jucá, e mais dois deputados do PRB, Vinícius Carvalho e Márcio Marinho.  

Mais de três meses depois de seu início, o governo ainda não tem uma base no Congresso para além do partido do presidente, o PSL, que tem 54 deputados. Mesmo partidos como o DEM, que tem três ministros nomeados ―Casa Civil, Agricultura e Saúde― se declararam até hoje independentes.

Apesar das contas otimistas de membros do governo, deputados mais realistas apontam que hoje o governo teria menos de 100 votos pela Previdência, abaixo de um terço dos 308 necessários para aprovar o texto.

A óbvia falta de votos necessários para aprovar a reforma, que tanto Bolsonaro quanto seu ministro da Economia, Paulo Guedes, consideram a principal meta do governo, convenceu o Planalto de que precisava agir.

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