Exército prende 10 militares envolvidos em assassinato de músico no Rio

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ASSOCIATED PRESSMilitares ao lado do carro de Evaldo Rosa dos Santos, que foi alvejado com 80 tiros de fuzis. O motorista, que estava com a família, morreu na hora.

O Exército informou na tarde desta segunda-feira (8) que 10 militares envolvidos na morte do músico Evaldo Rosa dos Santos, em Guadalupe, no Rio de Janeiro, neste domingo (9) foram presos. O carro em que Santos estava, com a mulher, o filho de 7 anos, o sogro e uma outra mulher, foi alvejado por 80 tiros de fuzil, segundo perícia da Polícia Civil.

Segundo o Comando Militar do Leste (CML), os policiais foram detidos em flagrante e tiveram o seu afastamento decretado imediatamente por conta de inconsistências entre os fatos inicialmente reportados.

Em nota, o Exército classificou como “injusta agressão” a ação dos militares que dispararam contra o carro de Santos, que tinha 51 anos. Eles teriam confundido o veículo da família com o de criminosos da região.

Inicialmente, o CML informou que os militares circulavam pelo bairro de Guadalupe quando se depararam com um assalto e foram atacados por criminosos. E que, por causa disso, atiraram contra os supostos assaltantes.

Segundo essa primeira nota, divulgada na tarde de domingo pelo Exército, o homem que morreu e o que ficou ferido (sogro de Santos) eram assaltantes.

A Polícia Civil, no entanto, depois de fazer uma perícia no local, informou que não havia assaltantes no carro e que as duas vítimas eram integrantes de uma família que estava no veículo.

Os soldados envolvidos na morte de Evaldo Rosa dos Santos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Judiciária Militar durante a madrugada, onde prestaram depoimentos individuais. Uma testemunha civil também foi ouvida, de acordo com o CML.

“A partir de agora esses militares passam à disposição da Justiça Militar da União, a quem cabe, obedecido o prazo legal, realizar a Audiência de Custódia e determinar como será dado prosseguimento”, informou o CML em nota.

O Comando Militar também repudiou os excessos ou abusos que venham a ser cometidos por militares em exercício de suas atividades, reiterando o “compromisso com a transparência e os parâmetros legais impostos pelo Estado de Direito ao uso legítimo da força por seus membros”.

A viúva de Evaldo, Luciana dos Santos Nogueira, disse que a família já havia transitado pelo local onde houve a operação. O músico chegou a ser socorrido pelos vizinhos, mas não sobreviveu.

“Por que o quartel fez isso? Eu disse, amor, calma, é o quartel. Ele só tinha levado um tiro, os vizinhos começaram a socorrer. Eu ia voltar, mas eles continuaram atirando, vieram com arma em punho. Eu coloquei a mão na cabeça e disse: ‘Moço, socorre meu esposo’. Eles não fizeram nada. Ficaram de deboche. Tem um moreno que ficou de deboche e rindo”, disse Luciana, segundo a Agência Brasil. 

Tânia Rêgo/ Agência Brasil“Por que o quartel fez isso? Eu disse, amor, calma, é o quartel. Ele só tinha levado um tiro, os vizinhos começaram a socorrer”, disse a viúva de Santos.

Em depoimento emocionado, a técnica em enfermagem disse que “preferia ter morrido com o marido”.

“Ele [o marido] era meu melhor amigo. Meu filho estava no carro, eu dei calmante para ele, ele viu tudo”, afirmou.

Militares dispararam mais de 80 tiros

O carro em que estava a família foi atingido por mais de 80 tiros disparados pelos militares.

Evaldo, a mulher, o filho de 7 anos, o sogro e uma amiga da família estavam indo para um chá de bebê. O músico foi atingido por três tiros e morreu na hora.

O sogro, Sérgio Gonçalves de Araújo, recebeu um tiro nas costas e outro no glúteo e está internado em estado estável no Hospital Albert Schweitzer ao lado de um homem, que estava no local, e tentou socorrer a família, mas foi atingindo por um tiro no peito.

Segundo Luciana Nogueira, não houve confronto, e os tiros começaram assim que o carro da família entrou na rua.

“Eu me senti protegida quando vi o quartel. Meu padrasto estava no banco da frente. O Evaldo já estava caindo no volante, mas falou ‘corre com o Davi’. Eu abri a porta e disse que ajudava a levar o carro. Os vizinhos vieram para ajudar a socorrer.”

(Com informações da Agência Brasil.)

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