Governo Bolsonaro demite 2º presidente da Apex em 3 meses

0
2

Reprodução/ TwitterVilalva, Bolsonaro e Araújo, logo depois da escolha do embaixador para assumir a Apex.

Por meio de uma nota, o Itamaraty comunicou, nesta terça-feira (9), a exoneração do embaixador Mário Vilalva da presidência da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), vinculada ao ministério.

A demissão do segundo presidente da Apex pelo chanceler Ernesto Araújo em exatos 3 meses foi anunciada no dia seguinte a declarações dadas por Vilalva, um diplomata de carreira, à Folha de S. Paulo, na qual acusava o ministro de “deslealdade”. 

A nota do Itamaraty fala que a demissão de Vilalva faz parte de um “processo de dinamização e modernização do sistema de promoção comercial brasileiro”.

“O ministro das Relações Exteriores agradece a colaboração que o embaixador Mario Vilalva prestou à frente daquela agência nos meses iniciais da atual gestão”, diz o comunicado.

Rumores de problemas no comando da agência circularam nas últimas semanas. No dia 4 de abril, o jornal O Globo noticiou que os diretores da agência Márcio Coimbra (Gestão Corporativa) e Letícia Catelani (Negócios), aliados de Araújo, teriam instalado duas portas que barravam o acesso do presidente da Apex às suas salas. 

Na segunda-feira (8), Vilalva criticou, à Folha de S. Paulo, a decisão de Araújo de assinar um documento em 15 de março que alterava o estatuto social da agência – impedindo, entre outras coisas, que o presidente da Apex pudesse demitir Catelani e Coimbra.

Segundo o jornal, que teve acesso ao documento, o documento do chanceler ainda dava poderes aos dois diretores “para convocar reuniões da diretoria-executiva na ‘impossibilidade ou recusa’ de Vilalva”.

Após descobrir o documento, Vilalva declarou que os dois diretores são “despreparados, inexperientes, inconsequentes e irresponsáveis”. 

“O mais grave foi o fato de que as mudanças foram feitas sem o presidente da Apex saber e que elas foram escondidas em documento guardado em cartório, o que demonstra jogada ardilosa e de má-fé”, disse o embaixador à Folha. “O documento foi feito na calada da noite, e faltou lealdade ao ministro.”

Vilalva substituiu Alex Carreiro, que foi demitido em 9 de janeiro, pelo Twitter pelo chanceler. Depois do anúncio do ministro e antes que o presidente Jair Bolsonaro confirmasse a exoneração no dia seguinte, no entanto, a assessoria da Apex havia dito que Carreiro “cumpriu expediente normal na agência”, “tendo efetuado despachos internos e recebido, para audiências, autoridades de Estado”, apesar do posicionamento de Araújo.

O anúncio da saída de Vilalva ocorreu ainda no dia seguinte à exoneração de Ricardo Vélez como ministro da Educação, o segundo ministro demitido, depois de Gustavo Bebianno deixar a Secretaria-Geral da Presidência, em fevereiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here