Após silêncio, Bolsonaro chama 80 tiros de ‘incidente’ e defende Exército

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MAURO PIMENTEL via Getty Images“O Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de assassino”, diz Bolsonaro sobre morte de músico por militares no Rio.

Na primeira declaração após o músico Evaldo Rosa dos Santos, 46 anos, ser morto quando militares dispararam 80 tiros de fuzil contra o carro em que estava com a família no último domingo (7), no Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro disse que o Exército não é “assassino” e que foi “um incidente”.

O Exército não matou ninguém não. O Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de ser assassino. Houve um incidente. Houve uma morte. Lamentamos ser um cidadão trabalhador, honesto”, afirmou nesta sexta-feira (12), em entrevista durante a inauguração do aeroporto de Macapá (AP), segundo o jornal Estado de S. Paulo. “Está sendo apurada a responsabilidade. No Exército sempre tem um responsável. Não existe essa de jogar para debaixo do tapete”, completou.

O músico foi morto no último domingo (7) e o capitão da reserva não havia comentado, desde então, o assassinato que causou comoção nacional.

No último domingo, 10 militares dispararam contra um veículo em Guadalupe, na zona norte do Rio em que estava Evaldo e a família – entre eles, o filho de 7 anos. Eles iam para um chá de bebê. O músico morreu no local e duas pessoas ficaram feridas. De acordo com o Exército, os militares confundiram o carro com outro automóvel que seria de criminosos.

Desse grupo, 9 foram presos e, na última quinta-feira (11), eles entraram com um pedido de liberdade no Superior Tribunal Militar (STM).

Na última terça-feira (9), o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou que “o presidente confia na Justiça militar, no Ministério Público militar e, a partir desse pressuposto, ele identifica e solicita até dentro da possibilidade, já que há independência de poderes, que esse caso seja o mais rapidamente elucidado”.

O Ministro da Justiça, Sérgio Moro, por sua vez, classificou o episódio como um “incidente bastante trágico” que está sendo apurado pelo Exército.  

“As pessoas têm que ser punidas. Mas lamentavelmente esses fatos podem acontecer”, disse, em entrevista no programa “Conversa com Bial”, da TV Globo.

Em entrevista à rádio CBN, na manhã desta sexta, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse que “sob forte pressão e sob forte emoção” ocorrem “erros” como o fuzilamento do último domingo.

O vice ainda afirmou que foram “disparos péssimos”.

“Houve uma série de disparos contra o veículo da família. Você vê que só uma pessoa foi atingida, então, foram disparos péssimos. Porque se fossem disparos controlados e com a devida precisão, não teria sobrado ninguém dentro do veículo. Seria pior ainda a tragédia”, afirmou.

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