Bolsonaro mandou segurar o preço do diesel; Por que isso importa?

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Você já deve estar sabendo que o diesel era para ter aumentado 5,7% nesta sexta-feira (12), mas a Petrobras recuou. E que o motivo desse recuo foi um pedido feito pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas, além de você não ter o impacto na bomba do posto, por que deveria considerar esse assunto relevante?

Porque a discussão é também política e coloca em questão a postura liberal do governo Bolsonaro na economia. 

Após a revelação de que ele ordenou o recuo, Bolsonaro imediatamente foi comparado a Dilma Rousseff, que, em seu governo, foi criticada por interferir na estatal para manter os preços dos combustíveis sob controle.

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse, em entrevista à rádio CBN, nesta sexta (12), ter “absoluta certeza” de que Bolsonaro “não vai praticar a mesma política da ex-presidente Dilma Rousseff no tocante à intervenção do preço do combustível e da energia”.

Afirmou ainda que foi um fato isolado, diante das pressões de caminhoneiros, que ameaçavam fazer uma nova greve e que o presidente “optou pelo bom senso”. 

O cálculo de Bolsonaro – que segundo a Bloomberg, tomou a decisão de intervir na Petrobras em uma reunião de 20 minutos com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni – foi o de que não valia arriscar que o Brasil parasse, como em 2018, às vésperas da votação da reforma da Previdência na Câmara.

A decisão, contudo, teve um impacto forte na imagem do País e da estatal: As ações da Petrobras em Nova York recuaram 9,29% e na Bolsa de São Paulo, até 8,76%. O Ibovespa fechou em queda de 1,98% e o dólar subiu, encerrando o dia em R$ 3,89 (dólar comercial).

Segundo o jornal O Globo, apenas em um único pregão, a Petrobras perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado só por conta da decisão. O litro do óleo diesel subiria de R$ 2,14 por litro para R$ 2,26. 

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), autarquia responsável pela fiscalização do mercado financeiro, cobrou da Petrobras explicações sobre o recuo. 

Na tarde desta sexta, Bolsonaro se justificou dizendo já ter falado “que não entendia de economia” e “não ser economista”.

“Não sou economista, já falei que não entendia de economia, quem entendia afundou o Brasil, tá certo? Estou preocupado também com o transporte de cargas no Brasil, com os caminhoneiros”, afirmou o presidente, durante inauguração do novo aeroporto de Macapá.

“São pessoas que realmente movimentam as riquezas, de norte a sul, leste a oeste e que tem que ser tratados com devido carinho e consideração. Nós queremos um preço justo para o óleo diesel”, completou.

Bolsonaro afirmou ainda ter convocado funcionários da petroleira para pedir explicações, na próxima terça-feira (16) sobre o aumento do diesel acima da inflação.

“Onde é que nós refinamos, a que preço, a que custo, eu quero o custo final”, disse, em Macapá.

Um dos líderes dos caminhoneiros, Wallace Landim, o Chorão, disse à Folha que a decisão de Bolsonaro de interferir para evitar o aumento “mostra que [ele] está ao lado do povo”. “Agradecemos mais uma vez ao governo e a ele.”

Em maio de 2018, os caminhoneiros pararam em todo o país por 11 dias, o que levou o país ao caos, com desabastecimento não só de combustível, mas de alimentos em supermercados e impacto sobre o tráfego aéreo. 

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