Museu americano estuda cancelar evento em homenagem a Bolsonaro

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O Museu Americano de História Natural, em Nova York, afirmou nesta sexta-feira (12), estar “profundamente preocupado” com o evento de homenagem ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), que acontecerá em maio.

Bolsonaro foi escolhido “pessoa do ano” pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, com sede em Nova York. A cerimônia de premiação, que sempre homenageia um brasileiro e um americano, também ocorreu, nos últimos dois anos, no museu. Só que, neste ano, a instituição começou a ser pressionada pelas redes sociais para cancelar o aluguel do espaço para a cerimônia da Câmara de Comércio.

“A reserva do museu para a realização do evento externo, privado, em homenagem ao atual presidente do Brasil foi feita antes que se soubesse quem seria o homenageado. Estamos profundamente preocupados, e estamos avaliando nossas opções”, publicou em seu perfil oficial do Twitter. 

Na rede social, usuários compartilharam mensagens dizendo que Bolsonaro “despreza” a Ciência.

“Como pesquisador brasileiro, é ultrajante que um indivíduo que despreza a ciência tanto quanto ele seja honrado por uma instituição científica”, escreveu um dos perfis.

“Essa será uma mancha permanente na história deste museu. Não deixe isso acontecer”, disse outro.

Em nota, a instituição explicou que o evento “não reflete de forma alguma a posição do museu”.

A instituição americana disse entender que as posições políticas de Bolsonaro vão contra “uma necessidade urgente de conservar a Floresta Amazônica”.

″[A conservação] tem implicações tão profundas para a diversidade biológica, para as comunidades indígenas, as mudanças climáticas e a saúde futura de nossas comunidades em todo o planeta”, diz a resposta oficial. 

Bolsonaro já considerou retirar o Brasil do Acordo de Paris, mas recuou após críticas. Também já sugeriu acabar com o “ativismo ambiental xiita” no País e com a “indústria de demarcação de terras indígenas”. 

Para o presidente, a questão ambiental e indigenista é um entrave ao desenvolvimento.

A premiação “Pessoa do Ano”

Em comunicado divulgado em fevereiro, a Câmara de Comércio disse que a escolha de Jair Bolsonaro como pessoa do ano era um “reconhecimento de sua intenção fortemente declarada de fomentar laços comerciais e diplomáticos mais próximos entre Brasil e EUA e seu firme comprometimento em construir uma parceria forte e duradoura entre as duas nações.”

Procurada pela reportagem até a publicação do texto, a Câmara não havia respondido se tem intenção de cancelar o evento ou mudar de local.

A premiação ocorre todos os anos desde 1970. No último ano, a indicação do então juiz Sérgio Moro, responsável pela prisão do ex-presidente Lula, já havia gerado polêmica. Em outras edições já foram homenageados nomes como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do atual governador de São Paulo, João Doria, e do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

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