Novo episódio de GoT decepciona com diálogos horríveis, cenas toscas e roteiro confuso

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DivulgaçãoDaenerys Targaryen (Emilia Clarke) chega a Winterfell, e a série se transforma em um “Casos de Família” medieval.

Ninguém botava muita fé em Game of Thrones quando a série estreou na HBO em 17 de abril de 2011. Fantasia não era um gênero com muito prestígio na TV, uma mídia que não conta com os orçamentos astronômicos do cinema.

Mas se existia um canal que seria capaz de transformar em realidade uma trama grandiosa e incomum como a da série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo (do escritor americano George R. R. Martin), era a HBO. Uma rede que nasceu apostando alto na ousadia aliada a um cuidado especial com a qualidade de suas produções, sem se importar muito com a questão da audiência.

Com o passar do tempo, o público foi percebendo que Game of Thrones não era uma fantasia medieval tradicional. Ela possui sim elementos bem típicos do gênero, mas subvertia algumas regras básicas de narrativas clássicas. Muito por conta de uma interessante característica dos livros de Martin, um autor que não titubeava em matar personagens que o público tinha como protagonistas.

O espírito transgressor dos livros combinava muito com a alma da HBO, e enquanto seguiu apoiada no material de Martin, Game of Thrones angariava cada vez mais fãs. Porém, o escritor, já conhecido por seus longos períodos de procrastinação, perdeu totalmente o foco com o sucesso da série, que acabou ultrapassando os acontecimentos do material em que se baseava. Isso aconteceu em 2016, e o impacto na trama foi gigante.

DivulgaçãoTormund e Beric Dondarrion estão onde mesmo?

Se antes a série tinha um ritmo lento que dava uma boa noção de tempo e espaço para as inúmeras tramas paralelas características da história, depois que David Benioff e D.B. Weiss tiveram que partir para um material 100% original, mesmo que com uma mãozinha de Martin, a coisa degringolou.

A 7ª temporada empilhou situações sem pé nem cabeça com um ritmo extremamente acelerado que não tinha nada a ver com o resto da série, quebrando a fluidez das tramas paralelas que serviam como espinha dorsal para a trama geral. É claro que Game of Thrones ainda nos presenteava com momentos memoráveis, como a Batalha dos Bastardos, mas a qualidade de seu roteiro caiu vertiginosamente.

E tudo isso, infelizmente, culminou nesse 1º episódio da temporada derradeira da série.

Mesmo com tempo suficiente para evitar os erros cometidos em 2016, já que tiveram um bom hiato para azeitar a máquina, Benioff e Weiss caíram nas mesmas armadilhas de 2 anos atrás. Aceleram demais o ritmo, confundindo o espectador, que muitas vezes não sabe onde está.

É o que acontece com a cena em que Tormund (Kristofer Hivju) e Beric Dondarrion (Richard Dormer) encontram o corpo de um dos lordes do Norte massacrado pelo Rei da Noite. O tal lorde é um garoto do clã Umber que há pouquíssimas cenas antes aparecia no conselho de Winterfell, a muitos quilômetros de seu castelo. Pouca gente entendeu quando e onde Tormund e Beric Dondarrion estavam.

Divulgação“Então vem esquentar sua rainha.” Sério, Daenerys?

Outra característica dessa queda de qualidade é a falta de foco na construção do clímax da trama, que está bem perto de chegar, aliás. A cena do passeio de Daenerys (Emila Clarke) e Jon Snow (Kit Harington) pelo céus do Norte em seus dragões, por exemplo, é totalmente desnecessária. O que ela nos mostra de novo sobre a relação amorosa dels? Nada além de um dos diálogos mais toscos da história da série.

Mas a cereja desse bolo intragável foi a noção anti-climática de aguardadas reuniões de personagens, em especial a de Arya (Maisie Williams) e Jon Snow. Separados há anos, os 2 irmãos que mais se davam bem na família Stark se reencontram em uma cena rápida e escrita no piloto automático. Quanta emoção esse reencontro não poderia gerar? Mas parece que os diretores estão mais interessados em cenas toscas com dragões voando.

DivulgaçãoDepois de anos sem se ver, Ary e Jon Snow trocam meia dúzia de palavras e um abraço xexelento.

É verdade que um desses reencontros foi legal, mesmo que ainda não tenha se desenvolvido totalmente no episódio. A troca de olhares entre Jamie (Nikolaj Coster-Waldau) e Bran (Isaac Hempstead Wright) foi uma interessante piscadela ao 1º episódio lá da distante 1ª temporada de GoT.

Mas isso ainda é muito pouco para uma série com a imensa dimensão que Game of Thrones atingiu com o passar dos anos. E é sempre bom lembrar, temos apenas mais 5 episódios pela frente! Ou seja, o ritmo da série será ainda mais acelerado, acabando com a escala de saga que foi tão bem construída por pelo menos 5 temporadas.

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