Ser conservador não é seguir a velha política da cartilha, diz João Pereira Coutinho

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A política tem no conservadorismo uma das linhas de pensamento que a influencia. Embora esse ideal seja associado erroneamente a expressões políticas reacionárias, o conceito de conservadorismo leva em consideração o contexto da sociedade para que ela se desenvolva. A explicação do cientista político e escritor português João Pereira Coutinho faz parte da entrevista concedida ao UM BRASIL.

“O conservadorismo ou uma atitude conservadora antes de ser uma expressão política é uma atitude filosófica. Uma pessoa que se acha conservadora do ponto de vista político sem ter uma dimensão filosófica do conservadorismo pode chegar a situações caricaturais. Ser um conservador parte do pressuposto de que os homens são imperfeitos e que a capacidade humana para construir uma sociedade é limitada”, explica.

O autor do livro As Ideias Conservadoras comenta que o conservadorismo tende a preferir soluções tradicionais, que tenham sobrevivido ao longo do tempo, desde que mostrem certa utilidade e benignidade para a sociedade. Ele pondera, por exemplo, que a escravatura foi uma tradição, mas deixava de respeitar a dignidade da natureza humana.

“Alguém com uma posição fortemente ideológica tem sempre uma solução para tudo, independentemente das circunstâncias em que se encontra. Lembra um médico que passa a receita antes mesmo de fazer qualquer exame. Acho mais racional, do ponto de vista político, defender a liberdade, a igualdade e a justiça, partindo de uma análise das circunstâncias e da realidade. Pode haver situações em que a igualdade é o valor mais importante, e outras em que é a liberdade”, analisa.

Coutinho também defende o debate entre conservadores e progressistas por entender que a política precisa de diferentes vozes.

“Qualquer sociedade precisa de conservadores e progressistas, pelo simples motivo que a verdade deverá emergir dessa conversação. No fundo, é como uma orquestra. O desequilíbrio deve preocupar”, explica.

Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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