Cuidados com o bebê: Qual é o papel da creche no desenvolvimento das crianças?

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Faz pouco tempo que nasceu no Brasil a primeira lei concebida integralmente para a proteção da pessoa no início da vida. Sim, os bebês e crianças até seis anos de idade são cidadãos com direitos garantidos pelo Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13.257, de 8/3/2016). O instrumento assegura que meninos e meninas possam brincar, ser atendidos por profissionais qualificados e estabelece, entre outras coisas, a divisão igualitária de direitos e responsabilidades entre mães, pais e responsáveis.

Muitas vezes somos confrontados com um pensamento antigo de que as crianças se esquecem de tudo o que viveram. Esta afirmação não está completamente errada, já que de fato existe a “amnésia infantil”, fenômeno que faz com que a maioria de nós não consiga se lembrar de quando éramos muito novinhos. No entanto, tudo o que vivemos está registrado, mesmo que de forma subconsciente. É por isso que o desenvolvimento afetivo, social e físico das crianças tem um grande impacto nos adultos que irão se tornar.

A Avante – Educação e Mobilização tem se dedicado há mais de dez anos a estudar o comportamento e desenvolvimento infantil na primeiríssima infância (0 a 3 anos). A organização tem sido uma das maiores divulgadoras da Abordagem Pikler, desenvolvida pela pediatra Húngara Emmi Pikler, que consiste em melhorar o desenvolvimento infantil por meio do cuidado com a saúde física, afetividade e respeito à individualidade e autonomia de cada criança.

Dentre os princípios que norteiam a abordagem estão: a valorização do vínculo entre cuidador (e/ou mãe) e o bebê; o reconhecimento e o respeito à individualidade dos bebês; a promoção da autonomia através da liberdade de movimentos, do brincar livre; o respeito ao tempo e espaço necessário ao desenvolvimento sadio; e a formação contínua dos cuidadores e educadores.

Segundo estudos, crianças que passam por essa experiência crescem para se tornar adultos mais desenvolvidos em habilidades motoras. Pais, responsáveis e professores são fundamentais para formar a rede de proteção necessária para o pleno desenvolvimento infantil.

Mais do que os cuidados em casa, com a mãe, o pai e o cuidador, a abordagem Pikler está cada vez mais presente nas creches. Tem sido essencial expandir essa discussão para os educadores, uma vez que por ser uma área relativamente nova no sistema educacional público, muitos profissionais tentam replicar o projeto pedagógico usado para as crianças mais velhas. Isso não atende as necessidades dessa faixa etária; pelo contrário, acaba de desperdiçar oportunidades de desenvolvimento essenciais para os bebês.

As crianças de 0 a 3 anos não tem necessidades de escrever, ler ou mesmo ficar sentadas durante muito tempo. A creche deve ser um lugar onde a criança adquire e aperfeiçoa habilidades que vai usar para o resto da vida, como andar e falar. Por isso, as profissionais devem estar qualificadas para lidar com este público.

Contraditoriamente, a educação infantil tem sido um dos maiores gargalos da política educacional nos últimos anos. Segundo o Relatório de Avaliação Plurianual do Ministério da Educação (2008-2011), a graduação dos professores da educação infantil é menor que nas demais etapas da escolarização básica. Além disso, as mais precárias condições de funcionamento da rede pública e privada se localizam na educação infantil (para crianças de até 3 anos).

Precisamos, em primeiro lugar, entender que os bebês podem construir aos poucos sua autonomia e relação com o mundo de forma muito positiva para o seu próprio desenvolvimento. O bebê não é aquele serzinho totalmente dependente. Ele precisa de estímulos e cabe aos cuidadores oferecer as oportunidades para que isso aconteça.

Em segundo lugar, precisamos investir na capacitação das profissionais que trabalham com bebês. O avanço das técnicas e abordagens nos últimos anos tem sido rápido e é preciso – para o próprio bem da infância – que elas estejam qualificadas e mais conscientes do que nunca sobre seu papel imprescindível na vida das crianças e suas famílias.

Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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