Por que os chás de revelação dos bebês podem afetar a comunidade LGBTQ

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Jenna Karvunidis com sua família.

Festas e chás de “revelação” de gênero dos bebês estão super na moda hoje em dia, mas quando a escritora Jenna Karvunidis organizou a sua com o marido, há 10 anos, a ideia era relativamente nova.

A festa, que consistia em cortar o bolo e revelar que Karvunidis teria uma menina, viralizou depois de ela escrever sobre o evento em seu blog e virou tema até de reportagens.

Quando as festas para revelar o sexo do bebê viraram moda, alguns anos depois, Karvunidis escreveu um post em seu blog para defendê-las.

Em 2019, porém, Karvunidis mudou um pouco de opinião, graças a Bee, sua filha de 10 anos, que adora vestir terno e se expressa de maneira não-binária.

Há alguns dias, Karvunidis, que mora na Califórnia e tem três filhos, escreveu um post no Facebook falando sobre o que pensa a respeito de ter lançado a moda dos chás revelaçao.

“Apareceu uma coisa esquisita no Twitter, então pensei em falar dela aqui. Alguém lembrou que eu ‘inventei’ as festas para revelar o gênero dos bebês”, escreveu ela, acrescentando que a tendência “virou uma loucura”. 

“Quem se importa com o gênero do bebê? Eu me importava na época, porque não estávamos em 2019 e não sabíamos o que sabemos hoje – que focar no gênero do nascimento significa ignorar muito do potencial e do talento [dos bebês] que não tem nada a ver com o que eles têm entre as pernas”, escreveu ela.

O post acaba com uma surpresa: “Turning point: o bebê da primeira festa para revelar gênero é uma menina que usa terno!” A mensagem de Karvunidis viralizou.

“Parabéns à sua filha por ser verdadeira e autêntica, e parabéns para você por incentivá-la e apoiá-la”, escreveu uma mulher. 

“Como trans que se sentiu preso e confinado por conta das partes íntimas até chegar aos 30 anos – Obrigado. Por isso.”, diz outra pessoa que comentou o post. “Bee é uma estrela.”

Karvunidis disse ao HuffPost que está animada que a sua mensagem tenha alcançado muitas pessoas trans e não-binárias. Ela afirma que há anos tem sentimentos complicados sobre ter lançado a moda da festa de revelação de gênero.

“Estou feliz que as festas tenham trazido alegria para as pessoas, mas essa alegria foi à custa de pessoas não-binárias e trans”, disse ela. “Mesmo que você diga que um problema não ‘te’ afeta pessoalmente, todos nós devemos ter humanidade suficiente para perceber que não precisamos causar dor para as pessoas marginalizadas para sentir felicidade.”

Karvunidis e o marido revelaram o gênero da filha em julho de 2008, basicamente para comemorar o fato de que, depois de vários abortos espontâneos, a gravidez corria bem.

Foi uma maneira de comemorar “finalmente chegar ao ponto de conhecer a anatomia do bebê”, disse ela. “Nunca imaginei que isso viraria uma tendência.”

Como escreve Karvunidis em seu post, as festas ficaram cada vez mais elaboradas e exageradas ao longo dos anos.

Agora que o post viralizou, Karvunidis quer que os pais saibam que ela não está tentando envergonhá-los por causa das festas. Mas ela espera que sua história leve as pessoas a pensar por que o fator “gênero” da equação é tão importante. 

“Há muitos motivos para comer bolo”, diz a escritora Jenna Karvunidis. “Você pode escolher um que não reforce atitudes prejudiciais para a comunidade LGBTQ.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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